ESPIRITUALIDADE iNACIANa

O que inspira os jesuítas?

O maior segredo dos jesuítas encontra-se numa história de amor que nós gostamos de contar. Uma história de amor com Deus que começou com Sto. Inácio de Loiola que logo a transmitiu a outros. Desde o início, esta história iluminou a vida de muitas pessoas com quem Inácio tinha contacto. Com a naturalidade que caracteriza as coisas de Deus, acabou por juntar amigos, ganhar corpo e transformar-se numa ordem religiosa. Surgiu a Companhia de Jesus.

De então até ao presente, nos seus quase quinhentos anos de história, o que move a Companhia de Jesus não é senão repetir e revivificar essa história de amor contando-a a outros e iluminando as suas vidas assim como ilumina a de cada jesuíta. A espiritualidade inaciana, afinal, não é senão uma narrativa viva que, quando transmitida e posta em contacto com a vida concreta das pessoas de hoje, lhes dá sentido, significado e visão no meio deste mundo fragmentado por tensões

Como Começou?

Tudo começou pela experiência pessoal de Inácio de Loiola, um jovem da nobreza basca do séc. XVI. Pouco dado às coisas espirituais e mais dado a sonhos mundanos, Inácio foi notando estados interiores diferentes: quando pensava nas coisas do mundo, sentia um contentamento momentâneo mas depois acabava e sentia-se vazio e insatisfeito; quando pensava nas coisas de Deus, elas deixavam em si um rasto persistente de ânimo. Percebeu então que Deus se tornava próximo e se manifestava através de sinais interiores. E dispôs-se a procurar a vontade de Deus até às últimas consequências.

Com o tempo, foi aprendendo que esta procura se fazia em ambiente de conflito e de movimentos interiores contraditórios. E teve que aprender a distinguir os sinais de Deus. Com a experiência ganha, foi registando e sistematizando regras para o ajudar nesta interpretação. E pôde começar a ajudar outros a fazer o mesmo. Foi assim que surgiu o pequeno mas denso livro dos Exercícios Espirituais: o coração da espiritualidade inaciana traduzido em palavras.

como se propagou?

A sede de “salvar as almas” levou a que Sto. Inácio e, depois, toda a Companhia de Jesus, fossem propondo os Exercícios Espirituais a um número cada vez mais alargado de pessoas: um método com passos bem medidos, normalmente concretizado em retiro de silêncio de vários dias, com vista ao encontro com Deus, para melhor o conhecer, mais o amar e, em sintonia com a Sua vontade, melhor o seguir.

Se nos inícios os frutos eram evidentes, hoje não é diferente: os tempos são outros mas as tensões interiores são as de sempre. Basta olhar para a Companhia de Jesus mas também para todo um conjunto de institutos religiosos e muitos grupos de leigos que surgiram numa forte identificação com a espiritualidade inaciana e que, nos dias de hoje, se continuam a alimentar dessa fonte inesgotável. Os Exercícios Espirituais continuam assim a ser a matriz que estrutura e alimenta a forma como os jesuítas simultaneamente aprofundam a relação com Deus e olham e intervêm no mundo. E com eles, muitas pessoas que bebem da espiritualidade inaciana.

Como se caracteriza?

É uma procura de Deus em todas as coisas. Procuramos um Deus que está presente em toda a Criação, mesmo onde parece estar completamente ausente. Acreditamos que, para aqueles que a saibam olhar, não há nenhuma realidade que seja simplesmente profana.

É um caminho de abnegação e discernimento para procurar a maior glória de Deus e o maior serviço da Igreja, que são simultaneamente o nosso maior bem. É um caminho de fidelidade criativa em que procuramos estar simultaneamente enraizados em Deus e mergulhados no mundo.

É uma procura do “mais” pessoal de cada um. Sentimo-nos desafiados a não nos satisfazermos com respostas feitas e fórmulas definitivas mas a procurar sempre o "mais". Muitas vezes, isso leva a um contacto tenso com as fronteiras, sejam elas culturais, científicas, religiosas ou geográficas.

Esta é a história de amor que os jesuítas gostam de contar. É esta a espiritualidade que os inspira a inspirar outros.