




1984-1988: Os Começos
O CUPAV – Centro Universitário P. António Vieira – nasceu em 1984 com a vinda do P. António Vaz Pinto para Lisboa. Com efeito, desde 1975 que os Jesuítas tinham iniciado em Coimbra um novo modo de presença cristã na universidade. Uma pastoral universitária baseada na proximidade e na gratuidade, com uma proposta de formação espiritual e humana orientada para a integração entre a vida de fé e os desafios da vida de hoje. No fundo, tratava-se de cultivar uma fé adulta, preocupada com a justiça e aberta ao diálogo com a cultura. Isto sem perder o sentido de humor…
O nascimento do CUPAV permitiu trazer para Lisboa um conjunto de actividades que durante anos tinham sido realizadas com sucesso em Coimbra: exercícios espirituais, cursos de introdução à fé, cursos de relações humanas, noites com convidados ou para falar de temas de fé, etc. Para além destas actividades, é importante referir também o surgimento de novas CVX ou Comunidades de Vida Cristã (movimento laical inspirado na espiritualidade inaciana). Outro aspecto relevante é o da preparação de adultos para os sacramentos, através dos cursos de preparação para o Baptismo, Crisma e Matrimónio.
O CUPAV instalou-se num edifício junto ao Colégio S. João de Brito, no Lumiar, onde foi construída uma capela dedicada a S. Francisco Xavier que ainda hoje é o ex-libris da casa. Para além da capela, há que lembrar a recepção, os gabinetes dos Jesuítas, salas para reuniões, um salão de conferências e o bar. Um Centro Universitário, porém, é mais do que paredes, por isso desde o início se apostou numa forte e coesa equipa de animadores universitários que, juntamente com o director, se empenhou na dinamização do Centro. Os encontros Fé e Justiça começaram em 1985, juntando personalidades do meio político, social e cultural para debater temas de actualidade. Neste período há que mencionar também o arranque dos Leigos para o Desenvolvimento, uma organização de voluntariado (hoje ONGD), surgida a partir de frequentadores do CUPAV, que desde 1986 já enviou cerca de três centenas de missionários – jovens profissionais leigos – a dar um tempo da sua vida à promoção do desenvolvimento humano em África e Timor.
1989-1995: As Grandes Iniciativas
Uma vez consolidados o programa e os espaços do CUPAV, a criatividade do P. António Vaz Pinto e da sua equipa foi-se aventurando a voos sempre maiores. A visão, iniciativas e dedicação do P. António, durante tantos anos, contribuíram para que o CUPAV se afirmasse como uma referência de vida cristã em Lisboa.
Em 1989 organizou-se pela primeira vez o Forum Estudante, uma grande mostra de cursos, escolas e profissões, onde as diversas instituições que compõem o mundo universitário e técnico-profissional se fizeram representar. Esta exposição trouxe à FIL cerca de 100.000 visitantes durante quatro dias. A partir desta iniciativa funcionou no CUPAV um Gabinete de Informação e de Orientação Escolar que produziu até 2006 um anuário de cursos, escolas e profissões. O advento da televisão privada em Portugal levou à necessidade de produzir programas de televisão no âmbito da transmissão da fé em moldes actuais. Foi assim que entre 1992 e 1996, o CUPAV acolheu a produtora de televisão Futuro. Outra grande iniciativa foi o nascimento do Banco Alimentar Contra a Fome, em 1992, a partir de um conceito existente em França. Todo o trabalho de arranque aconteceu a partir do CUPAV.
A atenção às necessidades dos estudantes estrangeiros – sobretudo dos Palop – levou à criação do Centro S. Pedro Claver, um projecto dos Leigos para o Desenvolvimento, destinado a oferecer explicações a preço acessível para universitários e pré-universitários. A “Escolinha” conta desde 1994 com duas professoras destacadas pelo Ministério da Educação e várias dezenas de voluntários. Em cada ano o número de explicandos ascende a mais de uma centena.
Neste período o CUPAV ampliou as suas instalações ao mesmo tempo que se ia plantando o Jardim Bíblico, um espaço verde onde se encontravam representadas várias dezenas de plantas mencionadas na Bíblia. Uma metáfora do mundo novo para o qual o CUPAV teve, desde sempre, o desejo de contribuir. Uma narrativa destes primeiros anos de vida pode ser encontrada nas memórias do P. António Vaz Pinto, História de Deus Comigo (ed. Aletheia).
1996-2000: Maturidade e Mudança
Em 1996 chega ao CUPAV o P. Nuno Tovar de Lemos, vindo dos EUA, para colaborar com o P. António Vaz Pinto. No ano seguinte o P. António recebeu nova missão e o P. Nuno assumiu a direcção do Centro, com a colaboração do P. Carlos Azevedo Mendes.
O P. Carlos vinha do CUMN (Centro Universitário Manuel da Nóbrega, em Coimbra) e, juntamente com o P. Nuno, constituía agora a equipa responsável por liderar uma nova etapa da vida do CUPAV.O primeiro objectivo da nova direcção era dar continuidade ao programa e actividades do Centro, acrescentando a pouco e pouco algumas inovações. O CUPAV tinha atingido a maioridade e estabilidade que lhe permitiam repensar as iniciativas tradicionais.
Em 1997, o CUPAV organizou a peregrinação anual dos Centros Universitários, desta vez não a Fátima, mas ao Santuário da Padroeira de Portugal, em Vila Viçosa. A partir desse ano o itinerário da peregrinação foi variando. Esta actividade é importante pois envolve os quatro Centros Universitários da Companhia de Jesus em Portugal: CUPAV (Lisboa), CUMN (Coimbra), CREU (Porto) e CAB (Braga). Em Novembro de 97, o P. Carlos Azevedo Mendes estreou na capital os fins-de-semana Natureza e Espiritualidade (NATES). Em Novembro de 98, a Missa dominical do CUPAV, celebrada na Igreja de S. Roque, voltou para a Capela de Santo António, ao Campo Pequeno, apoiada por um grupo de antigos animadores como ministros extraordinários da comunhão. É de assinalar aqui o sucesso crescente do Coro do CUPAV, composto pelos universitários que animam as missas de Domingo. O grupo de animadores foi-se também renovando, com uma aposta em equipas menos extensas.
Os encontros Fé e Justiça deixaram o formato original de fim-de-semana, e foi assim que em Abril de 99 se realizou o encontro Fé e Justiça XIV. O tema foi “Entre a Laicidade e a Fé”. E constou de uma série de diálogos/debates entre personalidades da vida pública portuguesa: D. José Policarpo e Mário Soares, José Saramago e P. António Vaz Pinto, João Lobo Antunes e P. Luís Archer, Siza Vieira e P. Vasco Pinto de Magalhães.
Em Março de 2000, respondendo a um apelo da Pastoral Universitária de Lisboa, O CUPAV organizou a Semana Humana procurando uma intervenção social com visibilidade na cidade de Lisboa. Houve animação de rua, rally-paper, safari fotográfico e conferências. Tudo sob o lema: “ser humano faz bem”. Em Junho 2000 celebrou-se o 15º aniversário no então tradicional Arraial do CUPAV. Logo a seguir, começou a demolição de parte dos edifícios originais, sob os quais se veio a construir a estação de Metro do Lumiar, um benefício que tornou o CUPAV mais acessível, mas que implicou uma mudança notável.
2001-2005: Novos Espaços
Em 2001, o P. Nuno Tovar de Lemos deixou o CUPAV. Para assinalar a sua despedida, e agradecer tantos bons momentos, organizou-se a inesquecível festa Latino-Americana, recriando ao pormenor o ambiente rocambolesco da América do Sul. A partir de Março de 2001, o P. Carlos Azevedo Mendes assumiu a direcção do CUPAV, numa geografia bastante alterada devido às obras do Metro. Tiveram de ser encontrados novos espaços para o salão de conferências, os gabinetes do Forum Estudante, a sala de estudos e a “Escolinha”. Uma parte significativa do jardim ficou também afectada. A dedicação do P. Carlos e da sua equipa permitiu ao CUPAV manter a programação habitual e o bom ritmo das actividades.
Em Outubro de 2002 o Gonçalo Castro Fonseca, Jesuíta em formação, veio para o CUPAV como director adjunto. Foi também neste ano que pela primeira vez um grupo de leigos colaborou na preparação para do Crisma e Baptismo. Em Novembro o CUPAV organizou a mais fantástica das suas actividades de início de ano: a “Noite de Magia” no castelo de Almourol, com templários, mouras encantadas e barqueiros…
O ano de 2002 haveria de trazer outra grande novidade: no Advento, a Missa dominical do CUPAV passou a ser na Igreja do Colégio S. João de Brito, às 19:00, horário e local que se mantêm até ao presente. A Missa de Domingo, embelezada pelo Coro do CUPAV, é um momento essencial de celebração da fé, encontro com a comunidade e inspiração para cada semana. De Segunda a Sexta, a Missa é celebrada na Capela do CUPAV às 19:15. É um ambiente mais recolhido que convida a acolher a presença de Deus no quotidiano.
A festa de 20 anos do CUPAV foi também um momento inesquecível de celebração e agradecimento. Foi nesse contexto que nasceram os COTA (cupavistas de outrora, trabalhadores de agora), cuja actividade emblemática passou a ser, desde então, a peregrinação anual a Fátima. Em Março de 2004 terminaram as obras do Metro e o incómodo estaleiro estacionado no jardim foi removido. Em finais de Julho, o Gonçalo Castro Fonseca estava de partida para Roma.
2005-2009: A caminho dos 25 anos!
Num curto espaço de tempo, chegaram ao CUPAV o P. João Norton de Matos, e pouco depois, o P. Miguel Gonçalves Ferreira. Ideias e energias novas trouxeram nova cara ao empenho de sempre: tornar Deus presente no meio universitário. Grupos novos (como a CVX-U ou o projecto “Rabo de Peixe Sabe Sonhar”) ou já veteranos (como os Gambozinos ou o Camtil) fizeram do CUPAV a sua casa, e são o sinal do empenho da geração actual. É o CUPAV que se renova a caminho de um momento especial: os 25 anos!
Em Janeiro de 2005 chegou o P. João Norton de Matos, assumindo desde logo o cargo de director. Com a preciosa ajuda do P. Carlos foi sendo introduzido ao mundo do CUPAV. O Gabinete de Informação e Orientação Escolar cessou as suas actividades em 2006, o que levou a uma reformulação de espaços e procedimentos na organização do CUPAV. Em Fevereiro desse ano chegou o P. Miguel Gonçalves Ferreira, vindo dos EUA. Em Março houve em Lisboa uma caminhada nocturna comemorando os 500 anos do nascimento de S. Francisco Xavier e a sua passagem por Lisboa. Em Outubro de 2006, a propósito dos 22 anos do CUPAV, nasceu o Circulo Vieira: um espaço de intervenção e participação dos pós-universitários e antigos frequentadores do CUPAV. É o sucessor natural do espírito COTA. Em 2007 o P. Carlos deixou a direcção do CUPAV, depois de 10 anos de intensa dedicação, mantendo-se activo como colaborador, ligado sobretudo ao Circulo Vieira. O P. Miguel Gonçalves Ferreira assumiu a direcção e chegou ao CUPAV o João Delicado, Jesuíta em formação, que ficou o director adjunto. Em Fevereiro de 2008 festejaram-se os 400 anos do P. António Vieira, dedicando-lhe o encontro Fé e Justiça, que contou com a presença entusiasta de quase seis centenas de admiradores do grande missionário e pregador.
Não podemos por fim esquecer que, para além dos grandes dias, o CUPAV é o dia-a-dia: são os encontros entre pessoas, os grupos, as actividades de fim-de-semana, a vida que se renova, a fé que se aprofunda. Olhando para esta história, e trazendo à memória tanto bem recebido, cresce em nós a gratidão a Deus e a todos quantos ajudaram a construir a grande família que é o CUPAV. Cresce assim em nós a confiança no futuro, com os olhos postos no grande aniversário que se aproxima: as bodas de prata do CUPAV!
Pe. Miguel Gonçalves Ferreira sj