Que segredos guardam os jesuítas?, com João Delicado sj - 19 Novembro 2008
Por Gabriel Fonseca
Quantas camisas pode ter um jesuíta? Quanto recebe o Pe. Miguel por ser director do CUPAV? São os jesuítas que aspiram o seu quarto? Se um jesuíta vir uns bilhetes baratíssimos na RyanAir pode comprá-los sem perguntar nada a ninguém? Foi assim, aguçando a curiosidade dos presentes, que foi lançado o Encontro Mensal de Novembro.
No entanto, rapidamente se percebeu que não se iria ali responder à curiosidade mais superficial da assembleia mas que se iria aproveitar a oportunidade para explorar, isso sim, os segredos mais profundos relacionados com a Companhia de Jesus: porque é que há pessoas que dizem que os jesuítas são diferentes ? Qual o seu motor interior? Como convivem com as tensões? São mesmo santos? Têm um canal especial de comunicação com Deus?
O percurso não podia deixar de começar por uma amostra de cinco momentos-chave da vida de Inácio de Loiola, visto ser matriz para tudo o que se lhe seguiu. Loiola, Manresa, Cardoner, Paris, La Storta passaram a ser os marcos-referência para o resto da apresentação. Dos segredos de Inácio , passámos para os segredos pessoais dos jesuítas e aí foi mostrado um vídeo com uma breve entrevista a quatro jesuítas que falavam não de ideais mas da sua experiência concreta. Depois passou-se para os segredos institucionais e, finalmente, para os pecados dos jesuítas . Nesse ponto falou-se das tensões que cada jesuíta vive no dia-a-dia na sua vida de pobreza, castidade e obediência.
No fim, finalmente se clarificou a questão inicial: sim, os jesuítas guardam um segredo mas trata-se de um segredo do qual não conseguem falar. Porque é do domínio do espiritual, do mistério. Porque dele só se fala por parábolas. Porque para nomear Deus só o conseguem através da poesis e da experiência vivida. Nesse sentido, os jesuítas guardam - no sentido de olhar - um segredo que é o próprio Deus, para depois o puderem comunicar. É esse o grande segredo dos jesuítas.
Depois do chá e bolachas houve ainda um tempo de perguntas e respostas com a presença de dois convidados especiais: o Pe. Manuel Morujão e o Pe. João Norton. A melhor resposta foi do Pe. João. Quando lhe perguntaram onde se pode encontrar jesuítas, ele respondeu espontaneamente: “nas pastelarias!”. Foi gargalhada geral.


