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Campo de Trabalho com refugiados em Burgos - 1 Agosto 2008

Por Joana Gomes

Campo de Trabalho com refugiados em Burgos - 1 Agosto 2008
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Espanha, Burgos, Residência Universitária das Escravas, Projecto Atalaya, Campo de Trabalho com Refugiados. Estas são as palavras que resumem quinze dias das minhas férias de Verão, mas que passo a explicar.

O Projecto Atalaya foi inventado por alunos dos colégios jesuítas espanhóis e consiste em apoiar, de diferentes formas, os imigrantes. Dispõem de um refeitório, aulas de espanhol, serviço médico e um apoio social para melhor integrar os imigrantes que recorrem à sua ajuda. Dentro deste Projecto que acontece ao longo do ano existem os Campos de Trabalho com Refugiados, que se limitam aos meses de Julho a Setembro. Estes são principalmente destinados às crianças imigrantes, servindo de reforço escolar e ocupação das férias.

Assim, mais um campo arrancou dia 22 de Julho, pelas 10 horas. As crianças invadiram o Centro Loyola, o lugar onde estávamos com elas ao longo do dia, formando uma mistura de raças. Vinham da Roménia, do Equador, da Costa do Marfim e até mesmo de Portugal. Traziam todos a sua mochila, que para além de um estojo tinha muitas histórias para contar. Eu fiquei responsável pelo grupo dos pequenos, juntamente com mais quatro monitores espanhóis. Da parte da manhã dedicávamo-nos mais à realização de tarefas escolares, enquanto que à tarde fazíamos jogos ou artes plásticas. Esta era a nossa rotina até às dezassete horas, menos à terça e quinta que íamos à piscina com as crianças.

Para quebrar este esquema existia ainda a variante da cozinha. Duas vezes por semana tínhamos que ajudar a cozinhar para cerca de cem pessoas, desde crianças a adultos. Isto porque as Escravas servem refeições aos adultos imigrantes necessitados, cabendo aos monitores a preparação da comida e todo o trabalho de serviço à mesa. Por vezes era muito desgastante o facto de estar muito tempo de pé a trabalhar mas o não estar com as crianças a gritar espanhol aos meus ouvidos era muito descansativo.

Os Campos de Trabalho, para além desta experiência no terreno têm toda uma parte de formação. Depois de os pais irem buscar as crianças, esperava-nos uma tarde de formação sobre a imigração, tendo momentos de partilha, de visualização de filmes, de testemunhos e de debate.

O programa ficava completo com os momentos de oração diária, um de manhã e outro à noite. Serviam como o revitalizar para mais um dia de trabalho sendo que para mim, era sempre uma altura de regresso a casa. O facto de fazer tudo numa língua estrangeira traz imensas dificuldades e desafios mas o sentimento de sabermos que podemos rezar na nossa própria língua é único. E melhor, o pensarmos que Deus está a falar com todos os outros na sua língua demonstra a imensidão da capacidade de amar. E assim acabo esta descrição, confessando que o mais difícil não foi aprender espanhol, não foi ouvir todas as críticas contra os portugueses, não foi o estar longe de casa e dos meus hábitos mas sim o saber que todos aqueles imigrantes não tinham escolhido, como eu, em estar ali. Eu sabia que tinha uma data para voltar, mas eles mal têm a possibilidade de lá viver em condições, muito menos de pensar em voltar para casa.

Mas não se deixem abater pelo que eu disse. Esta experiência é exigente a todos os níveis, mas completa-nos também em muitos sentidos. O espanhol não pode ser o vosso receio, nem a dificuldade de estar longe de casa. Pensem nos sorrisos que vão provocar em muita gente, e tudo faz mais sentido. Se não acreditam, inscrevam-se para os Campos de Trabalho do próximo ano e verão que tenho razão!

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